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CARTA ABERTA DO MOVIMENTO CINECLUBISTA CEARENSE À SECRETARIA DE CULTURA GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ

Para: Exmo Sr. Secretário de Cultura do Governo do Estado do Ceará

CARTA ABERTA DO MOVIMENTO CINECLUBISTA CEARENSE
À SECRETARIA DE CULTURA GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ


Fortaleza, 18 de dezembro de 2015.
Exmo Sr. Secretário Guilherme Sampaio,


Nós do CICLO-CE, Cineclubes Organizados do Ceará, movimento cineclubista atuante no Estado do Ceará, vem a público compartilhar nossa insatisfação diante as propostas apresentadas como minuta para o Edital de Cinema e Vídeo de 2015, apresentado no encontro chamado “Diálogos Culturais”, realizado no dia 16 de dezembro de 2015, na Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará.

Nosso movimento acompanha os principais debates sobre o audiovisual no Estado a pouco mais de seis anos. Junto a outros agentes da cadeia produtiva de audiovisual cearense, tais como realizadores, produtores, diretores de festivais, entre outros, ajudamos a construir o Fórum de Audiovisual do Ceará, e estivemos juntos nesse espaço de debate e reflexão sobre desenvolvimento de audiovisual no Estado desde o seu nascedouro.

Encampamos em 2009, através do movimento “Artivismo em Rede”, uma manifestação em rede nacional, que contou com a adesão de dezenas de cineclubistas no Estado que reivindicavam, naquela altura, uma atenção e acompanhamento do poder público para fomento de políticas a favor do fortalecimento do cenário cineclubista no Ceará (ver em http://migre.me/srULr). Foi um momento bastante profícuo, e foi a partir dali que conquistamos a inclusão de categorias cineclubistas dentro do edital de cinema e vídeo do Ceará, até então concentrado apenas em fomentar a cena da produção e realização cinematográfica. Esse companheirismo com o setor de audiovisual tornou propício o fortalecimento e o retorno de políticas especiais de Formação no edital (tornando o movimento cineclubista do estado do Ceará um dos mais atuantes, representativos e importantes dentro do cenário cineclubista do país) inclusive reservamos exclusividade para eventos de formação continuada para cineclubes.

Contudo, ao acompanharmos virtualmente a transmissão do encontro promovido pela SECULT-CE na última quarta-feira, dia 16 de dezembro de 2015, constatamos que tivemos uma perca significativa de investimentos para o fomento cineclubista no Estado.

No edital de 2014, tivemos um aporte de R$ 662.000,00 para criação e manutenção de cineclubes (prêmios de até R$ 33.100,00), além da rubrica de R$ 100.000,00 para projetos de EXIBIDORES E CINECLUBISTAS, na categoria FORMAÇÃO (prêmios de até R$ 50.000,00).


Para o edital de Cinema e Vídeo de 2015, foi anunciado o seguinte cenário de distribuição:

12 PROJETOS DE MANUTENÇÃO E CRIAÇÃO DE CINECLUBES no valor de até R$ 35.218,30, totalizando R$ 422.000,00 de investimento da SECULT.

E o corte da submodalidade “Exibidores e Cineclubistas”, da categoria III (Formação).


Em comparação ao edital de 2014, trata-se de um corte de R$ 340.000,00 para o fomento de projetos cineclubistas no Ceará.


Em um momento de crise econômico-financeira pela qual passamos, é evidente que somamos coro na urgência e necessidade do lançamento do edital de Cinema e Vídeo de 2015. No entanto reforçamos o nosso descontentamento com um corte tão expressivo para o fomento cineclubista no Estado (agravado pela falta de diálogo prévio com o próprio movimento).

Se a ideia dos DIÁLOGOS CULTURAIS é colher subsídios para o pensamento e avaliação das políticas dos editais, como explicar cortes tão significativos para o fomento do cineclubismo? Como ter acesso a esse tipo de avaliação de governo, que implica no enfraquecimento de políticas de desenvolvimento cineclubista no Estado?

Lamentamos o pouquíssimo tempo hábil em manifestarmos nosso descontentamento sobre esse edital (uma vez que se torna necessário o lançamento do edital de 2015 nos poucos dias que restam a encerrar o ano corrente), mas realmente acreditamos que esse corte comprometerá diversas atividades cineclubistas em Fortaleza e no interior, que vem sofrendo baixas desde a interrupção de ações federais como o Cine Mais Cultura, que até 2010 mantinha um edital nacional para fomento de pontos de exibições, atendendo prioritariamente periferias de grandes centros urbanos e municípios. Apontados como os principais responsáveis em democratizar acesso audiovisual em cidades e periferias de baixo IDH num Estado deficitário em exibição, distribuição e memória cinematográfica, os cineclubes deveriam receber um reconhecimento do governo de forma constante e moduladora, ainda mais considerando um Estado que sequer conta com uma cinemateca operante, capaz de manter com qualidade a difusão e o acesso de obras cearenses. Em resumo, a dinâmica progressiva de cortes nas políticas cineclubistas pode agravar ainda mais o quadro do acesso à democratização da cultura cinematográfica em nosso Estado.


Há anos construímos um diálogo com a sociedade civil organizada de que nosso papel é de habitarmos formas de resistências humanísticas em volta de um pensamento provocado em sessões comentadas de filmes, em seus mais distintos aspectos curatoriais e sociológicos, contribuindo para o protagonismo de comunidades que moram em regiões menos favorecidas (muitos em zonas rurais ou periferias distantes de polos culturais parecidos com salas de cinema). Em um contexto em que avançamos nacionalmente na discussão de metodologias para a aplicação da Lei 13.006 (que lida com a obrigatoriedade da implantação de obras cinematográficas brasileiras na grade curricular das escolas), é um agravo constatarmos, no Ceará, um corte tão expressivo no valor do investimento no desenvolvimento cineclubista no edital de cinema e vídeo de 2015 (somando os cortes nas modalidades de criação/manutenção de cineclubes ao completo corte da modalidade “exibidores e cineclubistas” na categoria formação, temos uma estarrecedora baixa de R$ 340.000,00).


Por fim, gostaríamos de um pronunciamento da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará sobre os cortes apontados na minuta apresentada em seus “Diálogos Culturais” na última quarta-feira, dia 16 de dezembro, para o Edital de Cinema e Vídeo de 2015, assim como o comprometimento de uma reunião com a SECULT-CE para esclarecimento, para podermos apresentar uma contraposta ou afinarmos juntos uma parceria de ações para o fortalecimento da cena cineclubista no Ceará ao longo de 2016, como complementação ao edital de 2015. O Ceará realmente precisa garantir uma política pública consistente de fomento para que ações cineclubistas permaneçam acontecendo.

Salientamos que o teor dessa carta deva ser entendido como uma contribuição de um pensamento de gestão cultural justo, equânime, e que simbolize um real comprometimento para o fortalecimento de ações cineclubistas no Ceará. Estamos para somar, para afirmar que estamos dispostos à disseminação de conceitos como a cultura colaborativa e com a clara convicção de reunir ações e pensamentos em rede.

Colocamo-nos abertos ao diálogo como sempre e esperamos que a SECULT-CE reavalie a proposta do edital com vistas a proporcionar ao cineclubismo cearense sua posição de destaque na cena nacional.




Cordialmente,


Representantes e apoiadores do Movimento Cineclubista Cearense.





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